Singapura

Quatro línguas oficiais é um bom indício,um pormenor que eleva as expectativas. Aliado, Singapura tem por aqui a fama de objectivo final na carreira de expat no oriente. Mais que um El Dorado, é muitas vezes descrito como uma espécie de Atlântida, um oásis de meritocracia, educação, limpeza e “civilização”, valores que do alto da nossa arrogância gostamos de apelidar de “ocidentais”. E são de facto estes valores universais, e não exclusivos, que encontramos nesta cidade-estado, em cada rua, rosto, estação de metro ou restaurante. Como nos filmes, quando o herói descobre uma civilização protegida, futurista, numa passagem secreta na selva, assim é o sentimento desde que aterramos no aeroporto até que desembarcamos na baía. Singapura é um vislumbre de um possível futuro – um olhar sobre o que as cidades podem ser – construída e planeada para as pessoas, respeitando a natureza onde o verde impera, com serviços não robóticos, humanos, sem blocos ou aberrações de cimento, numa harmonia citadina, educativa e funcional. Num local onde o espaço é escasso e a palavra de ordem é optimizar, o tamanho da ilha ilude. A densidade por metro quadrado de pontos de interesse é assombrosa e transforma a ilha num parque temático à escala de uma cidade. De uma rua para a outra percorremos a Índia, passamos pela China e visitamos uma qualquer capital europeia. E isto é o que mais me impressiona, a integração das culturas e pessoas. Como dizia uma das guias “primeiro dividimos as comunidades, indianos com indianos, chineses em bairros de chineses,… Pensou-se que seria melhor separar as pessoas por etnias e costumes. Rapidamente se percebeu que tínhamos de trabalhar todos juntos por isso mais valia conhecermo-nos. Hoje não há divisões e conheço as tradições de todos os meus colegas.” Diria que é mais fácil dizer do que fazer mas aqui há um caldeirão que realmente deu certo.