In Beijing

As cidades são sempre o reflexo das suas histórias, pelas gentes que vagueiam pelas ruas, pela arquitectura que exibem, pelo ritmo que marca o andamento. São como as pessoas, um amontoado de recordações e uma soma selectiva de todas as coisas que foram passando. E Beijing não esconde as cicatrizes de uma história com mais de três mil anos. Capital de impérios, casa de dinastias, palco de profundas revoluções, o resultado é tudo menos óbvio.

Personificando-a, Beijing seria uma velha senhora de outros tempos, de uma beleza feita de anos, tradições e alma, sem maquilhagem. Tem rugas bem vincadas, cicatrizes invisívies e é pouco dada a simpatias e mudanças. Só que estas acontecem e a senhora adapta-se como pode, sempre com um resmungo no canto da boca. Nem sempre nos trata bem, não tem paninhos quentes nem papas na língua à nossa espera. É de uma dureza aparente e de coração mole. Não nos vai sorrir muitas vezes mas quando o faz, sabemos que o esforço compensou.

Para os mais curiosos, escrevi estas publicações sobre a China e em específico, Pequim: